domingo, 29 de julho de 2007

Pan

Do adjetivo grego pâs, pâsa, pân (formas masculina, feminina e neutra respectivamente). No português é um prefixo. A função de um prefixo é essencialmente alterar a base de significação do radical. Sendo o radical elemento portador de significado, poderia-se dizer que um prefixo não tem significação própria. Certo? Errado! Cada prefixo é provido de significado a fim de direcionar o sentido da mudança que sofre o radical. Sobre este aspecto podemos ver em Pan-Americano, nome dado à competição esportiva realizada entre países da América do Sul, da América Central e da América do Norte.
Pan, segundo o dicionário Houaiss, significa todos, interidade. Acompanhando o radical americano, acrescenta a idéia de totalidade mudando o que poderia ser somente um país, um cidadão da América para o grupo inteiro de países ou cidadãos americanos, os quais, através de seus estimados atletas, de corpo presente ou por meio de canais de comunicação, estão empenhados no objetivo de ter bons resultados, receber várias medalhas, ver seu país na melhor colocação possível na competição. Assim, constrói-se no coração de cada um de nós americanos a sensação de orgulho em relação ao seu país, o famoso orgulho nacional.
O mesmo dicionário continua com significando pan como todo o possível e tudo possível. Estes fazem meu pensamento ir mais longe. Pensemos no Pan do Brasil, este que está findando hoje. Muita coisa aconteceu nesses dias. Os acontecimentos foram marcantes e surpreendentes desde o primeiro momento. Em primeira análise lembremos que o Pan do Brasil foi o primeiro de toda a história dos Jogos Pan-Americanos a não ter o discurso de abertura realizado pelo chefe de estado do país anfitrião.
Ao pensar neste fato sinto repulsa e esperança. A repulsa é por lembrar de toda a corrupção, as mentiras, a falsa democracia e o despreparo das pessoas que comandam o nosso país e saber que nada mudará a curto ou médio prazo. A esperança é por ver a ousadia do povo brasileiro que se fazia presente ao vaiar nosso presidente. A questão aqui não é em relação a uma pessoa simplesmente, mas em relação ao sistema. Se cidadãos brasileiros tiveram a coragem de vaiar perante a imprensa de toda a América, senão do mundo, o representante geral da nação (a esperança não me deixa!), é capaz q haja força para mudarmos a política existente em nosso país. Nenhuma daquelas pessoas preocupou-se com as aparências, ninguém achou melhor passar ao mundo a imagem de que tudo estava bem. A máscara caiu. Os brasileiros estão insatisfeitos!
Dois dias se passaram então, parecia que tudo estava tranqüilo, as atenções voltadas ao Pan. Os noticiários cheios de informações sobre atletas e competições. Foi quando houve outro fato que marcará para sempre o ano de 2007, o acidente com o avião da TAM no aeroporto de Congonhas. Até hoje, passadas praticamente duas semanas, não se esclareceu os motivos dessa catástrofe. O número de vítimas do acidente continua a aumentar. Dos corpos encontrados, muitos a identificar. O caos permanece. Na cabeça e no coração das pessoas que perderam seus entes queridos e no sistema de aviação brasileiro. É uma vergonha! Tantos paradoxos, falta de vontade política, descaso.
Cabe a nós brasileiros, não individualmente, mas como totalidade da nação, usarmos o prefixo pan, de acordo com sua significação, com radicais que nos proporcionem maior segurança e confiança. Devemos, como povo brasileiro, ter pan-idéias, pan-iniciativas, pan-participação e pan-amor pela nossa pátria, e por nós, cidadãos dessa pátria, a fim de construir um país com pan-felicidade para todos! Pan-pan-pan-pan!

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Não me deixe triste

Don't Let Me Down, Beatles, é o que escuto agora sem saber se peço a mim ou a alguém que não está aqui.
Acontece que estou só. Cabe a mim administrar minha tristeza.
A pensar em ti e na distância que nos separa, sinto uma vontade ainda maior de estar contigo esta noite, para saciarmos nossos corpos.
Porém estou sem ti.
Olho para os dvds que aqui estão, para o livro que há dias permanece no mesmo lugar. Não tenho vontade deles.
Recorro a um baseado e a cervejas para amenizar o que sinto. Talvez preferisse algo mais forte. Me distraio. O tempo passa.
Tenho vontade da tua pele tocando a minha pele, dos teus lábios nos meus lábios, explorando meu corpo, do teu corpo fervilhando no meu de desejo, um só corpo.
Danço uma dança sensual e triste.
Triste. Quem motiva meu corpo em movimento não está aqui.
Sensual. Sinto-me bem ao ver meu corpo nu retorcendo-se de prazer. Êxtase estabelecido por mim.
Só por mim.
Pensando em ti.
A tristeza diminui neste momento. Tu me fizeste bem.
Talvez eu te prefira aqui. Não tenho certeza. Tu não estás aqui. Não tenho tuas carícias. Não tenho tua voz. Não te tenho a excitar meus sentidos.
Desapontamento. Sentimento ambíguo. Um quê de força.
Não me deixe triste. Fique onde está. Não fique triste. Nosso amor durará para sempre.
Tu ficarás em minha lembrança.
Não aqui.
Tenho algo que muitos não tem e o querem. E isto, também fonte de enorme prazer.
Tenho liberdade!
Tenho a certeza de que sou responsável pelas decisões que tomar. Só eu. Pelo rumo que minha vida terá. Eu sou!
Procuro agir de forma a não deixar-me triste. Não pensar-me triste. Confio em minhas decisões. Confio em meu prazer. Confio em mim.
Tu me fizeste bem.
Eu me faço bem!