sábado, 20 de setembro de 2008

Prosa poética de saudade inesperada

(Gabriel Bernardo)
Não sei se é certo, mas eu queria que tu estivesses aqui comigo agora. Em silêncio, teus lábios fariam desse mar uma celebração do belo, da vida. E quando tua voz, rouca, serena, beijasse o ar, aí sim é que essa enseada calma enlouqueceria. Mas porque tu não estás aqui o mar é calmo... e sendo calmo, me agita e pede a tua presença. Fecho os olhos e abro as portas do coração para que saias e veja por si que tu não estás e que nem tudo é possível, embora eu não saiba se é certo. Na verdade, certo e errado não existe, o que existe é viver. Ironicamente, pensar em certo e errado acho não é certo. Viver é certo. Viver é exato. Saber que tu existes é exato. Tua presença é mais do que exata, ainda que tornem inexatas as minhas convicções, mesmo que me faça esquecer o trajeto que leva a mim mesmo. Tento-me revisitar, e no meio do caminho teus olhos me convidam a descansar. Descanso. Enquanto isso, adio o momento de me ver e perguntar se estou precisando de alguma coisa. Minha sorte é que esse mar é inevitavelmente azul. Sem ti, insignificantemente azul. Fosse castanho, como os teus olhos são, sem piedade, castanhos, o tempo, talvez por vertigem ou paixão fulminante, desmaiaria. E então eu perderia a previsão de te ver outra vez.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Que barbaridade!

Me chamam de louco e não tiro a razão
Eu reconheço a minha loucura
Mas para quem acha que sou sem noção
Sem tripudiar, eu exalto a cultura
Neste 20 de setembro, conterrâneos, presto homenagem
Àqueles que na revolução farroupilha fizeram história
Agradeço pelo legado de virtude e coragem
Vivemos num estado de bravura e glória
Valorizemos o Rio Grande, seus artistas, suas paisagens
Não se esqueça de minhas palavras e me deixe em minha viagem!

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Falta de inspiração!?

Há quem afirme que atualmente escritores não podem se dar ao luxo de depender de inspiração para produzir. Pedidos, prazos: cada vez mais a dinâmica cruel do mercado de trabalho tem invadido outras esferas, inclusive a artística.

A máxima "os fins justificam os meios" tem conquistado espaços de interação social, alterando diretamente a qualidade das relações, a qualidade de vida. As pessoas são vistas como objetos que devem produzir, consumir e gerar lucros.

É dura essa vida de quem fica tentando remar contra a maré! Tem que ser forte pra não se abalar com as mazelas humanas. São tantas as desigualdades. Quando olho, vejo tanta gente alienada! Parece que a humanidade foi atingida por um vírus!

Certo dia, me dei conta que quase fui atingida por ele também. Meus pensamentos não se conectavam, minhas idéias tornaram-se vazias. Surgiu-me uma forte vontade de corromper e fazer parte do sistema. Parecia que esta era minha única alternativa!

Mas minha mente o combatia. Tornei-me angustiada, incompreendida, desiludida: era meu corpo combatendo o vírus em fase de incubação. É o melhor momento para a cura, pois só na próxima fase nossas atitudes são alteradas, caso o vírus se manifeste.

Foi neste período que fiquei sem escrever. Não que me considere escritora. Escrevo porque gosto, porque me faz bem, me dá prazer. Mas não conseguia nem como terapia! Falta de inspiração!? Talvez! Eu sentia como falta de ilusão! Falta de percepção! Falta de motivação! Nada naquele momento fazia sentido. Só a introspecção parecia ter alguma veracidade!

A batalha foi grande! Enfim o vírus não se adaptou! Estou de volta e curada! A felicidade de sofrer por enxergar tomou conta de mim novamente! Sinto que reencontrei-me! No lugar da angústia, otimismo. Ao invés da desilusão, utopia!