quarta-feira, 28 de abril de 2010

Corrente

Para cada ação, uma reação.
Para cada reação, uma certeza.
Para cada certeza, uma dúvida.
Para cada dúvida, uma provocação.
Para cada provocação, uma intenção de ação.

Intimidade & Sexualidade

Sara veste sua meia-calça, arruma o vestido e calça os sapatos. Sapatos de salto alto, valorizam a produção. É cedo, mas ela precisa ir. Raul permanece na cama. Está em sua casa e não tem compromisso pela manhã. Palavras doces, expressões de afeto. Sara vai embora.
Próximo encontro, mesmos moldes. Passam a noite juntos e se despedem pela manhã. Palavras doces, expressões de afeto. Sara vai embora.
Há quem pense que ambos gozam de intimidade. Mas é só um jogo. Misturar intimidade e sexualidade só confunde tudo.
Resolvem se encontrar novamente. Dessa vez em um bar que Raul frequenta, na companhia de um amigo de Raul. Sara vai um pouco a contragosto. Não teve um bom dia, mas quer ver, ouvir, falar com Raul.
No início, tudo acontece como de costume, palavras doces, expressões de afeto. Aparências. A conversa regada a álcool, destilados, fermentados. O assunto fica mais denso. Opiniões divergentes, constatações, revelações.
Não se sabe se pela bebida, pela falta de controle ou pela representação, numa dessas digressões a raiva toma conta de Raul, que se levanta e levanta a voz para marcar seu domínio no discurso. Sua irritação é com Sara. Mas seu amigo fica sem reação. Saia, Sara! Pensa a mulher, agindo ainda com educação. Despede-se do amigo, deseja tudo de bom a Raul, pois, sabe, nunca mais vai vê-lo, e vai embora chocada com a situação. Entretanto, sem maior preocupação.
Não teve com o homem que a xingou mais do que alguns momentos de sexo e boa conversa. Não o conhecia. Não são íntimos, não são nem mutuamente relevantes. Sexualidade sem intimidade. Sara vai embora. Raul é um estranho para ela.

Parecer...ser...crer

As aparências não são tudo. Mas são 90%!
A percentagem está alta? Não reduzo de 50%!
Certa vez me disseram que não adianta ser, tem que parecer. Na época pensei que a frase estava invertida. "Como não adianta ser? Ser é tudo!" Hoje entendo o que significa! Não foi um fato isolado, uma sequência de acontecimentos me fez enxergar. Parecer é mais ou tão importante quanto ser! Do que adianta ser honesto, saudável, sincero, bonito, gentil, educado, se vc não representa essa característica? Se vc não parece ser assim? Quem acreditaria?! Talvez quem conviva há anos com vc. Mas, mesmo assim, vc teria de ter aparentado tal qualidade durante o período de convivência. A vantagem é que vc provavelmente teve um maior número de situações para convencê-los (mesmo n pensando em convencê-los de nada!). Não quero aqui achar culpados para esse fato, nem opinar se é errado ou não. A questão é que vivemos em um mundo de aparências e devemos dar a devida importância a isso para não pecarmos pelo excesso, sofrermos pelo descaso e desacreditarmos a nós e aos outros.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Viva (a)o inesperado da vida!

Viva àquilo que não está programado!
Viva ao que não é previamente pensado!
E viva!
Viva o novo! Cada situação é de aprendizagem.
Viva com! Cada ser contribui para sua formação.
Viva!

Gaveta empoeirada

Anos se passaram nos quais todos os projetos que surgiam eram engavetados. Tempos em que o que mais me valia ficava pra segundo plano. Aquilo que me dava prazer era deixado pra depois. "Primeiro as obrigações", pensava eu tentando convencer-me.
Mas foi um momento em que a perspectiva mudou. O que então era considerado importante tornou-se por hora irrelevante. O que era dito primordial passou a secundário.
E aquela gaveta... Ah! Aquela gaveta reluzia como ouro!
Fiquei tempos admirando-a. Aquela forma bem feita, aquele brilho, por anos escondido atrás da poeira. Não resisti! Criei coragem. Despertei minha curiosidade. E, como uma criança frente a um brinquedo novo, passei a explorar aquela gaveta que havia tornado-se estranha pra mim.
Tão maravilhoso era seu conteúdo! Tantos planos sensacionais! Só poderiam mesmo ter feito dela um tesouro! Todo aquela jóia era minha, desejada por mim. De forma alguma, na menor das possibilidades, deixaria aquilo tudo passar ou perder-se novamente.
Comecei uma análise delicada e prática de cada um dos itens contidos ali. Resolvi fazer uso de cada um deles. Aprimorar-me, deleitar-me, extasiar-me.
E, daquela gaveta empoeirada que passou a reluzir como ouro, surge o teatro como fonte de inspiração e de aprendizado.
Teatro! Minha mais nova-antiga paixão!
Que maravilha ter aberto a gaveta!