segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Satisfação

Ei! Você!
Você que tem mãe com idade entre 40 e 60 anos!
Você já reparou bem na sua mãe? Com atenção?
Qual é o tipo de vida que ela leva?
Quais são as suas preocupações?
Os seus interesses?
Ela é feliz?
Observando muitas mães dessa faixa etária, conversando com elas ou com seus filhos, constatei que cerca de 90% (sim, uma esmagadora maioria!) dessas têm passado por algum problema emocional. Sendo que muitas delas têm procurado tratamento com profissionais como psiquiatras, psicólogos, a procura de uma melhor qualidade de vida, tranqüilidade, felicidade, enfim, a resolução de seus problemas. Ao dar-me conta dessa situação, coloquei-me a pensar sobre o porquê dessa geração feminina estar sofrendo tanto, e em massa.
Já vejo a geração das avós sofrendo porque "todo mundo trabalha", assim elas falam. O que mais as fazia feliz era a casa cheia dos filhos e netos, desde quando eram filhas e netas. E então vem toda a questão da sociedade capitalista, consumo, produtividade, participação e lucro. De poucos. Bem, esta parte deixemos por aqui. Mas o sofrimento da mulher de que trato carrega um quê mais profundo. Algo que mexe com elas de uma forma mais intensa. Causa insatisfação.
As avós têm o ressentimento de não terem os seus por perto mais tempo, mas têm a certeza de que foram exatamente aquilo que deveriam ser, o que a sociedade esperava delas, pressupõe-se que o papel que exerceram em suas vidas, que foi ensinado por seus pais, houvera sido o suficiente. Ensinaram o mesmo às suas filhas. E mesmo que tenham ido além desse papel, pois em todos os tempos houveram mulheres ousadas, elas contentam-se em guardar para elas esses sentimentos como algo bom e proibido que os demais não devem saber. Satisfação.
Mas as nossas mães não têm a mesma certeza, creio que é difícil para elas olhar suas filhas (suas filhas! repare a proximidade) e ver como poderia ter sido diferente. Se submeteram a papéis que as filhas não se submetem, deixaram de manifestar suas opiniões, não fizeram suas próprias escolhas. Acharam que estavam obedecendo ao padrão que lhes era esperado, que faziam a coisa certa. Mesmo anulando-se. E hoje entendem que não precisava ser dessa forma. Frustram-se. Deprimem-se. São insatisfeitas com elas próprias pelo que foram, o que são.
Se sua mãe tem entre 40 e 60 anos, pergunte a ela o que lhe dá prazer, escute-a, ajude-a. Mostre a ela que está viva, que o passado já se foi e o futuro é agora. Elas podem fazer diferente, se verem diferente, se sentirem diferente. Ser a diferença! Satisfeitas!

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