sábado, 20 de setembro de 2008

Prosa poética de saudade inesperada

(Gabriel Bernardo)
Não sei se é certo, mas eu queria que tu estivesses aqui comigo agora. Em silêncio, teus lábios fariam desse mar uma celebração do belo, da vida. E quando tua voz, rouca, serena, beijasse o ar, aí sim é que essa enseada calma enlouqueceria. Mas porque tu não estás aqui o mar é calmo... e sendo calmo, me agita e pede a tua presença. Fecho os olhos e abro as portas do coração para que saias e veja por si que tu não estás e que nem tudo é possível, embora eu não saiba se é certo. Na verdade, certo e errado não existe, o que existe é viver. Ironicamente, pensar em certo e errado acho não é certo. Viver é certo. Viver é exato. Saber que tu existes é exato. Tua presença é mais do que exata, ainda que tornem inexatas as minhas convicções, mesmo que me faça esquecer o trajeto que leva a mim mesmo. Tento-me revisitar, e no meio do caminho teus olhos me convidam a descansar. Descanso. Enquanto isso, adio o momento de me ver e perguntar se estou precisando de alguma coisa. Minha sorte é que esse mar é inevitavelmente azul. Sem ti, insignificantemente azul. Fosse castanho, como os teus olhos são, sem piedade, castanhos, o tempo, talvez por vertigem ou paixão fulminante, desmaiaria. E então eu perderia a previsão de te ver outra vez.

3 comentários:

Nina Sant disse...

lindo!!!

amei!!!

CARLOS H. SILVA disse...

arrepiante!!!
obs. linda foto!!

Nina Sant disse...

na cocheira, curtindo um charuto!!!

mas tche barbaridade =)