Prosa poética de saudade inesperada

(Gabriel Bernardo)
Não sei se é certo, mas eu queria que tu estivesses aqui comigo agora. Em silêncio, teus lábios fariam desse mar uma celebração do belo, da vida. E quando tua voz, rouca, serena, beijasse o ar, aí sim é que essa enseada calma enlouqueceria. Mas porque tu não estás aqui o mar é calmo... e sendo calmo, me agita e pede a tua presença. Fecho os olhos e abro as portas do coração para que saias e veja por si que tu não estás e que nem tudo é possível, embora eu não saiba se é certo. Na verdade, certo e errado não existe, o que existe é viver. Ironicamente, pensar em certo e errado acho não é certo. Viver é certo. Viver é exato. Saber que tu existes é exato. Tua presença é mais do que exata, ainda que tornem inexatas as minhas convicções, mesmo que me faça esquecer o trajeto que leva a mim mesmo. Tento-me revisitar, e no meio do caminho teus olhos me convidam a descansar. Descanso. Enquanto isso, adio o momento de me ver e perguntar se estou precisando de alguma coisa. Minha sorte é que esse mar é inevitavelmente azul. Sem ti, insignificantemente azul. Fosse castanho, como os teus olhos são, sem piedade, castanhos, o tempo, talvez por vertigem ou paixão fulminante, desmaiaria. E então eu perderia a previsão de te ver outra vez.

Comentários

Nina Sant disse…
lindo!!!

amei!!!
CARLOS H. SILVA disse…
arrepiante!!!
obs. linda foto!!
Nina Sant disse…
na cocheira, curtindo um charuto!!!

mas tche barbaridade =)

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