Aniversário de Professor

Dia do professor!
Mais um ano se passou e eu nesta profissão que para muitos é sinônimo de sofrimento e baixo salário. Realmente! Em um país onde a cultura não é valorizada e o saber não é bem-vindo, resta ao professor se tornar uma figura ultrapassada, um coitado!
Ainda bem que eu não tenho pena de mim mesma! Ainda bem que eu sei do caráter intelectual do professor! Detentor e transmissor de conhecimento, e por isso mesmo, alguém que possibilita novos horizontes, novas perspectivas de vida!
Mas não foi sempre assim!
Há exato um ano, eu tinha certeza que trocaria de profissão! Não sabia que rumo tomaria minha vida! Entretanto, estava determinada a não mais, em hipótese alguma, continuar no magistério!
Quando optei pelo curso de Letras já sabia que não queria trabalhar com os pequenos; gostaria de ensinar aos maiores, fosse gramática, inglês ou literatura; minha vontade era fazer pensar, discutir, dialogar com adolescentes e/ou adultos, pessoas que já trariam consigo uma experiência maior de vida, de faixa etária não tão diferente da minha, ou talvez diferente, mas não crianças (sem desmerecer as colegas da Pedagogia!).
Trabalhei em escolas particulares, rurais, suburbanas; considerava que em meus seis anos de magistério (hoje sete) havia passado pelas diferentes realidades que eram oferecidas e por isso alcançado um bom grau de experiência.
Mas minha última vivência me fazia sofrer demais (e ainda faz), muita pobreza, muita falta de perspectiva, muita desestrutura familiar, muita ignorância, muita acomodação e muita revolta!
Há um ano minha força havia se esgotado! E eu havia desistido! É muito difícil se dar conta de que aquela vontade louca de mudar o mundo vai ficar na vontade! Eu não posso mudar a vida das pessoas... só elas podem.
Então, ao perceber que alunos de turmas de pré a oitava série, tirando raríssimas exceções, iam à aula para comer a merenda ou receber o bolsa escola, também percebi que meu conhecimento não era desejado. Sim minha amizade. E eu havia estudado para quê!?
Pronto! Desisti! Me abri com os amigos, conversei com meus professores, comuniquei minha decisão às pessoas com as quais me importava. Muitos ficaram surpresos. Houve inclusive uma professora que, em sua visível decepção com o que ouvia, encaminhou-me para os psicólogos da Unisinos. Mas eu não fui! Era uma decisão minha, só eu poderia mudá-la!
Este último ano como professora foi realmente um ano de reflexão. Refleti sobre meus objetivos, meus anseios, meus medos e mesmo sobre minha vaidade. Foi um ano longo e difícil. Sofrido. Perturbador. E, não menos, proveitoso. Animador.
Foi ao me ver como não-professor que pude entender o quão admirável é ser professor. Foi ao entender as desilusões que pude voltar a me "iludir".
Uma de minhas dificuldades era não conseguir enxergar o que faria, que profissão escolheria se abrisse mão da minha. E, se eu iria mudar de profissão, porque não escolher uma que me desse maior retorno financeiro? Advogada, artista, psicóloga, jornalista. Todas estas me atraíam. Todas estas envolviam alguma característica forte de minha personalidade. Por qual optar? Resolvi não optar por nenhuma, mas também não descartar! No final do meu curso de Letras, a última coisa que queria pensar era em outra graduação! Também não era o momento.
A atitude ideal a tomar foi viver um dia de cada vez. Que jargão! Mas funcionou. Procurei dar importância ao que me fazia bem, não alimentar o sofrimento, ir a novos lugares, conhecer novas pessoas, aprofundar meu conhecimento em assuntos que me davam (dão) prazer, perceber/aprender possibilidades para problemas sociais que não posso resolver sozinha/agora. Fazer a diferença, aos poucos, ao invés de mudar o mundo! Comecei a ficar mais tranqüila. Com o tempo, fui me sentindo melhor.
E, neste mês de outubro, uma experiência mexeu com as minhas estruturas! Novamente! Meu estágio com alunos de Ensino Médio! Que maravilha dar aula para quem quer saber o que eu tenho a ensinar! Que maravilha perceber que se quer aprender! Que maravilha ver olhos e ouvidos atentos e interessados!
É claro que tenho noção que a comunidade em questão não é tão carente e que nem todas as turmas de Ensino Médio são como esta. Sei sim de cada detalhe que envolve este universo, cada uma das características que podem estar envolvidas e levam cada pessoa, cada ser, a ser exatamente do jeito que é!
Mas o êxtase que senti já na primeira aula! A felicidade que tomou conta de mim! Sensações inexplicáveis! Indizíveis! E para alguém que não acreditava mais nisso(...)!
Não tenho meios (e nem acredito que alguém tenha) de dizer: Esta será a profissão de toda a minha vida! Não podemos estabelecer nada com tamanha duração. Mas, depois de me reapaixonar pelo magistério, não me importaria se isso fosse verdade!
Amo todos os meus alunos: os que fizeram parte da minha vida, os que fazem e os que ainda farão! Amo o conhecimento que adquiri até aqui! E ainda mais o que está por vir!
Parabéns, professores, pelo nosso dia!
Cultivemos nossas paixões!
Elas podem ser muuitas!

Comentários

Leonardo Prado disse…
eu acho os professores um dos seres mais importantes que existem na face da terra, pois devo tudo aos meus mestres, os passados e os futuros. ensinar é uma arte maravilhosa, é quase mágica.
parabéns.

ps: obrigado pela indicação do BAFO no teu blog, não mereço tanto, agora to na responsa de atualizar. hehehe
bjão!
Leonardo Prado disse…
bá, valeu pelotoque, mas quero te falar o motivo de ter copiado teu texto/trova, é que sou muito ligado ao tradicionalismo, mesmo não sendo um gaúcho de CTG. e quando lí teus versos foi ato contínuo cruzar a perna e olhar minha tattoo do rio grande do sul. ainde te mostro.
um abração.
retribuí colocando o Incipiência nos meus amigos, tu víu.
bjão!
Nina Sant disse…
mas ah gaúcho tchê!!!=)

vi sim... valeu!!!

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