segunda-feira, 12 de abril de 2010

Gaveta empoeirada

Anos se passaram nos quais todos os projetos que surgiam eram engavetados. Tempos em que o que mais me valia ficava pra segundo plano. Aquilo que me dava prazer era deixado pra depois. "Primeiro as obrigações", pensava eu tentando convencer-me.
Mas foi um momento em que a perspectiva mudou. O que então era considerado importante tornou-se por hora irrelevante. O que era dito primordial passou a secundário.
E aquela gaveta... Ah! Aquela gaveta reluzia como ouro!
Fiquei tempos admirando-a. Aquela forma bem feita, aquele brilho, por anos escondido atrás da poeira. Não resisti! Criei coragem. Despertei minha curiosidade. E, como uma criança frente a um brinquedo novo, passei a explorar aquela gaveta que havia tornado-se estranha pra mim.
Tão maravilhoso era seu conteúdo! Tantos planos sensacionais! Só poderiam mesmo ter feito dela um tesouro! Todo aquela jóia era minha, desejada por mim. De forma alguma, na menor das possibilidades, deixaria aquilo tudo passar ou perder-se novamente.
Comecei uma análise delicada e prática de cada um dos itens contidos ali. Resolvi fazer uso de cada um deles. Aprimorar-me, deleitar-me, extasiar-me.
E, daquela gaveta empoeirada que passou a reluzir como ouro, surge o teatro como fonte de inspiração e de aprendizado.
Teatro! Minha mais nova-antiga paixão!
Que maravilha ter aberto a gaveta!

Um comentário:

Carla Soares disse...

Muito feliz por ti! Segue teu desejo e talento. Beijão!!