Intimidade & Sexualidade

Sara veste sua meia-calça, arruma o vestido e calça os sapatos. Sapatos de salto alto, valorizam a produção. É cedo, mas ela precisa ir. Raul permanece na cama. Está em sua casa e não tem compromisso pela manhã. Palavras doces, expressões de afeto. Sara vai embora.
Próximo encontro, mesmos moldes. Passam a noite juntos e se despedem pela manhã. Palavras doces, expressões de afeto. Sara vai embora.
Há quem pense que ambos gozam de intimidade. Mas é só um jogo. Misturar intimidade e sexualidade só confunde tudo.
Resolvem se encontrar novamente. Dessa vez em um bar que Raul frequenta, na companhia de um amigo de Raul. Sara vai um pouco a contragosto. Não teve um bom dia, mas quer ver, ouvir, falar com Raul.
No início, tudo acontece como de costume, palavras doces, expressões de afeto. Aparências. A conversa regada a álcool, destilados, fermentados. O assunto fica mais denso. Opiniões divergentes, constatações, revelações.
Não se sabe se pela bebida, pela falta de controle ou pela representação, numa dessas digressões a raiva toma conta de Raul, que se levanta e levanta a voz para marcar seu domínio no discurso. Sua irritação é com Sara. Mas seu amigo fica sem reação. Saia, Sara! Pensa a mulher, agindo ainda com educação. Despede-se do amigo, deseja tudo de bom a Raul, pois, sabe, nunca mais vai vê-lo, e vai embora chocada com a situação. Entretanto, sem maior preocupação.
Não teve com o homem que a xingou mais do que alguns momentos de sexo e boa conversa. Não o conhecia. Não são íntimos, não são nem mutuamente relevantes. Sexualidade sem intimidade. Sara vai embora. Raul é um estranho para ela.

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