segunda-feira, 23 de julho de 2012

Descentralizando o problema

De manhã, assistindo ao telejornal, vi a jornalista de economia criticando o Brasil pela política de valorização da gasolina e desvalorização do álcool (iniciativa brasileira), considerado promissor na década de setenta. Ela dizia que o único imposto destinado ao desenvolvimento dessa indústria deixou de ser cobrado, o que impossibilitou seus avanços e, consequentemente, a fez obsoleta. Em tempos em que se discute novas formas de geração de energia e cuidados com o meio ambiente, fica difícil compreender essa notícia, fica difícil compreender certas decisões. Resta-me, já que não tenho capacidade de compreender nem de resolver esse e outros tantos equívocos, procurar meios de, pelo menos, amenizar os problemas sociais dessa sociedade organizada por injustiças. Mas, como? Muitos preferem culpar os políticos pela situação em que vivemos, assim fica mais fácil, desvia-se a responsabilidade de si mesmo e lava-se as mãos. Uma minoria faz a diferença por meio de atitudes grandiosas, não se queixam, não lamuriam sobre como deveria ser a realidade, abrem mão de si mesmos e dedicam-se inteiramente à vida alheia. Outros ainda, talvez mais egoístas do que os últimos, mas menos indiferentes do que os primeiros, realizam pequenas ações com as quais acreditam estar contribuindo para um mundo mais justo, ou menos injusto.
Admito, não sou nenhuma Madre Tereza, nenhum São Francisco, e tampouco me vejo assumindo papeis desse tipo. Cuido de minha vida, cuido de meus interesses, e – mesmo me esforçando muito para alcançar meus objetivos, que são estipulados gradativamente, de acordo com o momento em que vivo – por ora desanimo, digo a verdade, não é fácil. Trabalhar com educação num país de terceiro mundo, no qual tudo tem mais importância do que instrução e cultura, por vezes, se torna desanimador, principalmente, por algumas situações com as quais nos deparamos no dia a dia. Porém, procuro manter minhas atitudes coerentes as minhas ideias, agir de forma condizente a meu discurso. E, se não sei o que fazer ou dizer, não tenho problema nenhum em aceitar minhas dúvidas, minhas fraquezas. Não tenho a necessidade de ter sempre resposta pra tudo. Considero ridículos aqueles que sabem tudo.
Não faço serviço voluntário, não adotei nenhum cão sem dono, nem tenho planos de organizar eventos beneficentes. Mas, procuro ouvir com atenção aqueles que comigo desabafam, pois, isso, para mim, é sinal de confiança e esperança. Confiança porque eles me confiam seus segredos, esperança porque essas pessoas esperam de mim uma palavra de conforto, palavra essa que eles sabem e/ou acreditam ser sincera ou por me conhecerem, ou por simples e inexplicavelmente sentirem essa vibração em mim.
Apesar de ter certeza de que não me candidatarei à presidência e de não ter a pretensão de mudar o mundo sozinha, tenho certeza de que colaboro para melhorias em meu entorno, pois, não fecho os olhos frente aos acontecimentos. Posiciono-me, participo, concordo, discordo, apresento novas ideias, valorizo ideais distintos, faço acontecer e faço diferente, contribuindo diretamente com a realidade em que vivo. A alienação e a indiferença só facilitam a perpetuação do poder nas mãos de dominantes incapazes e inescrupulosos, que se protegem entre si. Se cada um de nós se fizer ouvir, a iniciar num microcampo, e agir, a tendência é dessa postura se expandir, seguir a macrocampo e difundir - preciso pensar assim, preciso alimentar minha esperança. Porém, enquanto isso não acontece, amenizemos as desigualdades para nós mesmos.