segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Curso de Som Perestroika - Sábado II

Segunda aula, professor diferente, colegas novos... estava bem mais disposta que na aula anterior. Inclusive me dei conta de algo que poderia ter percebido antes: o centro de inovação Perestroika é voltado à publicidade! Não que isso mude o que eu sinto pelo curso ou pela escola, é um comentário só a nível de informação mesmo. Afinal de contas, curto tudo o que envolve a área de comunicação!
Bem, de volta ao que interessa, o professor desta semana foi o jornalista Marcelo Ferla, que recebeu este nome devido ao ator Marcello Mastroianni; mas, histórias pessoais à parte (e eu as adoro!), vamos falar/escrever sobre música.
Entre outros tópicos interessantes, fizemos o que eu poderia chamar de giro no tempo ou linha temporal da música pop. Para esta viagem, Marcelo escolheu os seguintes transportes/temas:
- Frank Sinatra inventou o Pop;
- Surge o Rock;
- O Rock perdeu o sentido;
- Fim do Rock;
- Bush salva o Rock.

Incrível! O tiozinho aquele que minha avó ama de paixão é o primeiro bon vivant da música! O cara! As mulheres o querem, os homens o invejam... Está no auge! Mas uma suspeita de envolvimento com a máfia resulta em sua derrocada. Aí, após amargar em decepções, acontece o que se tornaria marca pop: a ressurreição do astro! Então, ao receber o oscar pelo filme Daqui para a eternidade, em 1953, não há mais dúvidas: Frank Sinatra se torna eterno!
Em 1954, surge o Rock: soma de blue e country, música de negros e de brancos. Seu sentido: sexo! Livrar-se da repressão sexual em que vivem é o principal objetivo. Rebeldes sem causa é o filme marcante da época. Começa a surgir um público que até então não é explorado: os jovens! Nos anos 60, Bob Dylan surge como ápice da contracultura e as circunstâncias o tornam o primeiro anti-herói do Rock. Rock e política se aproximam. Neste contexto, a revista Rolling Stones é lançada a fim de definir atitudes/comportamentos para este novo grupo. Curiosidade: rock'n roll era a gíria usada por negros para referir-se a sexo! Ui!
O Rock cresce tanto, aquele público-alvo é tão promissor... surgem novas bandas, dentre as quais The Beatles, Pink Floyd, enfim os envolvidos enriquecem. Mas o Rock perde o sentido! Sexo não o é mais. O que é!? Nasce então o punk rock nos anos 70: sem querer querendo surge o Sex Pistols. Nos anos 80, a MTV aparece, unindo música e imagem.
Diversas mudanças contribuem para o fim do Rock! Os anos 90 marcam pela presença de Kurt Cobain, o qual, como Bob Dylan, segue a postura do anti-herói: não faz parte dos seus planos aquele mundo de glamour. O Rock não se desenvolve. Surge o hip hop, a música eletrônica. O hedonismo toma conta do momento, fim de século, os problemas não estão em pauta, é hora de curtir a vida e os prazeres que esta proporciona. Parece que perderíamos de vez um estilo que se consagrou por décadas.
Até que... Bush salva o Rock! Agora há motivos para protestar! Há o que rockear! O onze de setembro, as guerras no Iraque, matanças, injustiças... a ignorância é notada novamente e o Rock volta como movimento contestador! O sentido ressurge!

É claro que não escrevi todos os detalhes a que tive acesso através das palavras do Marcelo. E mesmo sei que ele também não declarou toda a riqueza de seu saber, para isto falta-nos tempo! Mas, do pouco que aprendi, tento aqui passar outro pouco e dividir parte do saber que comigo foi dividido! Tentemos assim multiplicar! Pesquisemos mais e aprendamos mais! Quem sabe qualquer hora dessas fazemos outro passeio no tempo!?

domingo, 19 de outubro de 2008

Otimismo no revés

Lendo o texto anterior e refletindo sobre este ano, lembrei de outro fator que fez com que eu me sentisse melhor: Pensamento Social Cristão, uma disciplina das Ciências Humanas.
Durante o curso inteiro eu olhei para o currículo e vi com desconfiança esta cadeira. Pensava que provavelmente o professor seria um padre falando sobre os valores da Igreja. Nada contra padres e igrejas, mas também nada a favor! Ah, pra ser sincera, tenho contras sim!
Iniciei o segundo semestre de 2008 com um nó na cabeça! Revolta era o que eu mais tinha! Aí, como era obrigada a encarar a disciplina para poder me formar, fui ver no que daria!
Na primeira aula, o professor pediu para que nos apresentássemos e falássemos um pouco sobre nós mesmos. Na minha vez, resolvi soltar o verbo, falei sobre minhas desilusões: o patriarcado, a luta de classes... inúmeras desigualdades presentes em nossa sociedade. Enfim falei sobre minha vontade de encontrar meu espaço no sistema vigente sem tornar-me cega às injustiças!
Ao professor Laurício Neumann (muito gente boa) só restou dizer-me o que eu já sabia e tornou-se óbvio: eu estava em crise existencial! Mas o que eu e meus colegas não sabíamos era que o foco de estudo era exatamente o modelo social vigente, o capitalismo, desigualdades e possibilidades para mudarmos a realidade. Eu estava por dentro do assunto mais do que poderia imaginar!
O nome da disciplina ajuda na construção do preconceito sobre ela; mas, pensando bem, me precipitei. Pensamento: o ato ou faculdade de pensar; Social: o que é relativo à sociedade; Cristão, de Cristo, não da Igreja. Pensamento Social Cristão: pensar a sociedade de acordo com os ensinamentos de Cristo.
E quem foi Cristo? Bem, eu acredito no homem com idéias totalmente à frente do seu tempo, uma alma bastante evoluída, que deixou mensagens importantíssimas a serem seguidas, e não rituais patéticos. Enfim, valorizo os ensinamentos de Cristo e não os dogmas religiosos. Valorizo o amor, a igualdade, respeitando as diferenças, a compreensão.
Mas, pouco falamos em Cristo na aula, quase nada! A disciplina era basicamente filosofia! E filosofia bem atual! A-do-rei!
Iniciamos os estudos com Habermas. Eu não sei porque ainda não tinha estudado esse cara! Os textos dele são um soco no estômago! As idéias dele ao mesmo tempo perturbam e libertam! Por falar o que pensa com propriedade e bons argumentos ele teve problemas com a Igreja, assim como Leonardo Boff. Eu admiro muito eles dois! Mesmo inseridos no mundo religioso, tiveram coragem de discordar e apontar erros históricos e atuais! Ambos sofreram represália por isso!
Me identifico com eles! Óbvio que não trilhei metade do caminho deles, tenho muito a percorrer! Mas tenho a mesma vontade! A mesma disposição para construir um mundo melhor!
Pode ser que eu não veja este mundo, pode ser que eu seja uma eterna incompreendida, pode ser sim que eu seja excluída; mas, em prol do bem comum, seguirei meu trajeto e serei feliz por ser fiél as minhas idéias!
Posso dizer hoje que esta disciplina me trouxe novamente a coragem de tentar e acreditar! Ela foi determinante para eu voltar a praticar meu otimismo! Para reestabelecer minha utopia!

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Aniversário de Professor

Dia do professor!
Mais um ano se passou e eu nesta profissão que para muitos é sinônimo de sofrimento e baixo salário. Realmente! Em um país onde a cultura não é valorizada e o saber não é bem-vindo, resta ao professor se tornar uma figura ultrapassada, um coitado!
Ainda bem que eu não tenho pena de mim mesma! Ainda bem que eu sei do caráter intelectual do professor! Detentor e transmissor de conhecimento, e por isso mesmo, alguém que possibilita novos horizontes, novas perspectivas de vida!
Mas não foi sempre assim!
Há exato um ano, eu tinha certeza que trocaria de profissão! Não sabia que rumo tomaria minha vida! Entretanto, estava determinada a não mais, em hipótese alguma, continuar no magistério!
Quando optei pelo curso de Letras já sabia que não queria trabalhar com os pequenos; gostaria de ensinar aos maiores, fosse gramática, inglês ou literatura; minha vontade era fazer pensar, discutir, dialogar com adolescentes e/ou adultos, pessoas que já trariam consigo uma experiência maior de vida, de faixa etária não tão diferente da minha, ou talvez diferente, mas não crianças (sem desmerecer as colegas da Pedagogia!).
Trabalhei em escolas particulares, rurais, suburbanas; considerava que em meus seis anos de magistério (hoje sete) havia passado pelas diferentes realidades que eram oferecidas e por isso alcançado um bom grau de experiência.
Mas minha última vivência me fazia sofrer demais (e ainda faz), muita pobreza, muita falta de perspectiva, muita desestrutura familiar, muita ignorância, muita acomodação e muita revolta!
Há um ano minha força havia se esgotado! E eu havia desistido! É muito difícil se dar conta de que aquela vontade louca de mudar o mundo vai ficar na vontade! Eu não posso mudar a vida das pessoas... só elas podem.
Então, ao perceber que alunos de turmas de pré a oitava série, tirando raríssimas exceções, iam à aula para comer a merenda ou receber o bolsa escola, também percebi que meu conhecimento não era desejado. Sim minha amizade. E eu havia estudado para quê!?
Pronto! Desisti! Me abri com os amigos, conversei com meus professores, comuniquei minha decisão às pessoas com as quais me importava. Muitos ficaram surpresos. Houve inclusive uma professora que, em sua visível decepção com o que ouvia, encaminhou-me para os psicólogos da Unisinos. Mas eu não fui! Era uma decisão minha, só eu poderia mudá-la!
Este último ano como professora foi realmente um ano de reflexão. Refleti sobre meus objetivos, meus anseios, meus medos e mesmo sobre minha vaidade. Foi um ano longo e difícil. Sofrido. Perturbador. E, não menos, proveitoso. Animador.
Foi ao me ver como não-professor que pude entender o quão admirável é ser professor. Foi ao entender as desilusões que pude voltar a me "iludir".
Uma de minhas dificuldades era não conseguir enxergar o que faria, que profissão escolheria se abrisse mão da minha. E, se eu iria mudar de profissão, porque não escolher uma que me desse maior retorno financeiro? Advogada, artista, psicóloga, jornalista. Todas estas me atraíam. Todas estas envolviam alguma característica forte de minha personalidade. Por qual optar? Resolvi não optar por nenhuma, mas também não descartar! No final do meu curso de Letras, a última coisa que queria pensar era em outra graduação! Também não era o momento.
A atitude ideal a tomar foi viver um dia de cada vez. Que jargão! Mas funcionou. Procurei dar importância ao que me fazia bem, não alimentar o sofrimento, ir a novos lugares, conhecer novas pessoas, aprofundar meu conhecimento em assuntos que me davam (dão) prazer, perceber/aprender possibilidades para problemas sociais que não posso resolver sozinha/agora. Fazer a diferença, aos poucos, ao invés de mudar o mundo! Comecei a ficar mais tranqüila. Com o tempo, fui me sentindo melhor.
E, neste mês de outubro, uma experiência mexeu com as minhas estruturas! Novamente! Meu estágio com alunos de Ensino Médio! Que maravilha dar aula para quem quer saber o que eu tenho a ensinar! Que maravilha perceber que se quer aprender! Que maravilha ver olhos e ouvidos atentos e interessados!
É claro que tenho noção que a comunidade em questão não é tão carente e que nem todas as turmas de Ensino Médio são como esta. Sei sim de cada detalhe que envolve este universo, cada uma das características que podem estar envolvidas e levam cada pessoa, cada ser, a ser exatamente do jeito que é!
Mas o êxtase que senti já na primeira aula! A felicidade que tomou conta de mim! Sensações inexplicáveis! Indizíveis! E para alguém que não acreditava mais nisso(...)!
Não tenho meios (e nem acredito que alguém tenha) de dizer: Esta será a profissão de toda a minha vida! Não podemos estabelecer nada com tamanha duração. Mas, depois de me reapaixonar pelo magistério, não me importaria se isso fosse verdade!
Amo todos os meus alunos: os que fizeram parte da minha vida, os que fazem e os que ainda farão! Amo o conhecimento que adquiri até aqui! E ainda mais o que está por vir!
Parabéns, professores, pelo nosso dia!
Cultivemos nossas paixões!
Elas podem ser muuitas!

domingo, 12 de outubro de 2008

Curso de Som Perestroika - Sábado I

Ontem, com aquele tempinho mixuruca, aquele céu cinzento, aquela chuvinha, uma ressaca dos diabos acabando comigo, saí de casa para ir a Porto Alegre na primeira aula do meu tão esperado curso de som.
O professor desse dia era o coordenador do curso, Eduardo Santos, locutor da rádio Ipanema, entre outros títulos. Com formação em publicidade, mais do que normal que tendesse para este lado, ainda mais tendo alunos publicitários que incentivavam e contribuíam para que a publicidade se sobrepusesse.
Entretanto, nosso primeiro dia não abrangeu somente este aspecto. Como já era de se esperar, primeiro dia é primeiro dia e não dispensa apresentações. Depois o Edu Santos falou sobre som, rádio, AM, FM, IBOPE, direitos autorais. O livro A Cauda Longa, de Chris Anderson, foi a grande pedida, recomendado pra quem quer entender este universo músico-econômico, se é que posso chamar assim (é que ainda não li o livro!).
A presença do jornalista Marcelo Ferla foi uma grande contribuição para a aula. É muito bom ouvir esses caras falando de sua experiência no mundo musical. Eles sabem pra caramba! Dá gosto de ver (ouvir)!
Bem, eu, contrariando a normalidade, falei pouco. Sabe como é, primeiro dia, primeiro contato, é momento de reconhecer o terreno, escutar muito e falar pouco, observar. Prefiro assim. E também com a dor de cabeça que eu tava! Ô ressaca braba!
Mas, a chave de ouro, a surpresa inesperada, foi a presença de Kátia Suman! Que bate-papo legal. Regado a um bom vinho. Acredite, eu bebi! Uma medida insignificante, até porque se eu bebesse mais teria que ir direto para o HPS! Por um momento esqueci da ressaca e peguei o vinho quando o Edu alcançou; ao dar o primeiro gole, lembrei da danada e resolvi deixar o copo de lado, depois de terminar com o conteúdo que estava nele, é claro!
Voltando à Kátia, gostei dela, além da profissional, a pessoa! Gostei do jeito dela dizer as coisas, desbocada e não vulgar, interessante e não pedante! Quando ela expressou seu amor às Letras, me apaixonei. Quando falou sobre sua insatisfação com o sistema, caí de quatro! Juro! Não foi atração sexual! Foi intelectual! Adorei saber um pouco da vida dessa mulher que passei a conhecer e admirar.
Agora estou na expectativa da próxima aula, espero que seja ainda melhor do que esta. Em um aspecto tenho certeza que será: não estarei de ressaca! Assim planejo pelo menos!