segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Curso de Som Perestroika - Sábados IX e X

A fim de antecipar o término do curso, tivemos um intensivo (duas aulas em um único sábado). Por isso, tb faço o registro das duas aulas em um único texto.

Eu, pra variar, cheguei atrasada. Não estava adaptada a ter aula sábado de manhã; assim posso me dar um desconto. Nesta primeira parte do dia, tivemos de produzir dois jingles, um de cada equipe (a turma foi dividida em duas), para o Opinião. O brief era Volte vivo do verão para ir no Opinião. A partir daí, tivemos de criar a letra, a melodia, gravar... Devido a isso, nossa aula foi na LoopReclame: vivenciamos todo o processo. Descobri a importância do brief e reafirmei a necessidade de se expor o que pensa mesmo que vá de encontro à maioria (isso pode evitar um equívoco). Como nunca havia entrado em um estúdio para gravar e muito menos participado da produção de um jingle, curti muito a experiência.

Passado o momento de descontração (almoço, bate-papo), tivemos a última aula. Esta foi com o Piá, da Rádio Ipanema. Primeiro ele contou um pouco da sua história, o percurso que fez para chegar até seu atual momento. Dividiu conosco alguns de seus gostos musicais e falou sobre alguns de seus ídolos da música Black. Ele havia levado grande parte de seu equipamento de mixagem e demonstrou várias técnicas. Inclusive pudemos realizar algumas pessoalmente.

Neste sábado, conversamos sobre um possível módulo dois do curso. Talvez ele aconteça no próximo ano. Não sei se participarei. Mas, posso afirmar que aprendi bastante com o curso de som da Perestroika. Não só o que expus aqui, mas também o que se fez intrínseco: aprendizados reais através de situações banais.

Curso de Som Peresroika - Sábado VIII

A aula de hj foi com Adriano Basegio, do TEPA, que, segundo ele, gostaria de ser músico mas virou ator e passou a trabalhar com música no teatro.
Primeiro realizamos uma atividade na qual, em círculo e com os olhos fechados, tínhamos de bater palmas. A intenção era que percebêssemos a energia que flui e faz com que batamos palmas no mesmo ritmo.
Depois tivemos de produzir os mais variados sons a partir da nossa voz somente. Duas atrizes do TEPA participaram da aula para ajudar nas atividades. Foram produzidos diferentes sons, uns mais ousados, outros mais tímidos. A questão é que todos participaram. A partir daí, trabalhamos a trajetória do som, pela qual uma mesma frase ou ruído pode sofrer alteração pelo simples interpretar de sua interação com o espaço.
Em seguida, tivemos de produzir sons a partir de objetos e, através destes, formar uma narrativa (sem narrador). O som produzido deveria levar o ouvinte a suas próprias conclusões sobre o que estava sendo contado. O som tirado de objetos deveria levar ao entendimento da história.
Enfim, a turma dividida em dois grupos, tivemos de formar duas peças para as quais só poderiam ser utilizados o som produzido por nós mesmos (corporal)e a atuação da atriz do TEPA.
Ficou evidente o quanto o som é importante no teatro. O som produzido para a cena, o som produzido em cena e o não-som (o silêncio). Silêncio que muitas vezes fala mais alto que qq coisa q possa ser dita. Deixemos que ele fale agora!

Curso de Som Perestroika - Sábado VII

Gente, o curso hoje foi com o Tejo Damasceno, gaúcho, mas há tempos foi pra São Paulo ganhar a vida. Pra ter uma idéia o cara é tímido (ou tava chapado pq deu um nervoso, um branco, no início da aula!) Achei legal, um cara simples, bem acessível.

O tema da aula era: Música feita por não-músicos. Ou seja, o cara não toca nenhum instrumento musical, mas se sustenta através da música! Dá pra encarar? O cara entende de programa de computador, mexe com música eletronicamente. E não toca nada!

Pra mim, q não toco nada, foi uma linha de identificação. Apesar de que, entre adquirir esses programas d computador pra fazer música eletrônica (Sonar, Garage, entre outros) e comprar um instrumento pra aprender a tocar, to mais pra tocar violão!

Seguimos a vertente de trilha sonora para cinema e TV, colagem de som e tal. O Tejo faz vários trabalhos nesse sentido com o Instituto, fundado por ele e mais dois parceiros. Ele falou bastante sobre o lance ideológico: trabalhar para ganhar dinheiro ou se dedicar ao que vc acredita? Um lance muito manero: ele e seus parceros resolveram seguir no que acreditavam.

Acabaram trabalhando com música de periferia (funk, hip hop, enfim), junto a outros trabalhos paralelos que surgiam no meio da publicidade. Começaram a ser reconhecidos, ganharam alguns prêmios no exterior, estavam acontecendo. Suas ofertas de trabalho expandiram. A ideologia se sobrepôs ao lucro sem sentido!

Um de seus últimos trabalhos foi Alice, série da HBO. O cara disse que foi um grande aprendizado pq ele teve q mexer com músicas que n faziam normalmente parte de seu material de trabalho. Pela protagonista ser de classe média, o q ela ouvia n era bem música de periferia. Por isso a diferença. Mais um exemplo de que na vida a gente tah sempre aprendendo!

Ele falou sb a qualidade das séries brasileiras, relembrou com carinho as séries Mandraque e Filhos do carnaval, dividiu algumas de suas experiências com Alice e pôs esperança na lei que obriga 30% da programação de TV a cabo pertencer ao país de exibição.

Sabe que ele pode ter razão mesmo? Quem sabe, com os gringos investindo na gente, começam a sair programações melhores? Eles não vão exibir qq coisa para seu público, mais exigente. Terão q injetar dinheiro nesse mercado. Esperando o devido retorno, é claro!

Esperança para quem trabalha com arte! Esperança para quem trabalha com música! Esperança para quem simplesmente admira boa arte e boa música! Alice talvez seja uma das pioneiras de muitas séries brasileiras patrocinadas por empresas estrangeiras.

Infelizmente só consegui ver um capítulo da série e n quero criar opinião com base em tão pouco. Mas, quando eu tiver condições, assistirei a série inteira. Vai que ela faça história? Bem, curiosa eu já estou! E vc?

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Curso de Som Perestroika - Sábado VI

Esta aula foi ma-ra-vi-lho-sa! Sempre que tem a ver com escrever eu amoooo! Tah certo que a publicidade e/ou a tecnologia são bem interessantes e inclusive bem atuais. Mas, como escrever é minha paixão, a aula de composição, sem dúvida, estaria entre minhas preferidas!

Composição aí engloba letra e melodia, como deveria ser; e o professor do dia foi o compositor Rodrigo Leão, de São Paulo. Com a banda Professor Antena, pertenceu à cena musical da década de 80, época em que consolidou muitas das relações artísticas que ainda mantém.

Falando sobre composição, o Rodrigo falou muitas frases relevantes e nos deu algumas dicas. Algumas das frases foram:

O sucesso é muito mais o gosto de quem houve do que o talento de quem faz.

A aceitação do público dita o que é sucesso. Não tem nada a ver pensar que algo não faz sucesso porque o criador não tem talento.

Música é o pano de fundo emocional da vida.

E não é? Eu não discordaria nunca dessa afirmação. Há quem discorde?

A música permite que você expanda seu raio de troca.

Sim! Através da música podemos alcançar pessoas distantes de nós, pessoas que talvez não tivéssemos contato se não fosse musicalmente. A música nos permite ir mais longe.

Você deve criar algo que significa alguma coisa para você e/ou para quem está perto de você.

A verdade se expande e se mantém; o que não for verdade, mesmo que se expanda, não dura. E, para conseguirmos esta verdade, devemos estar preocupados com ela, conosco, e não com o que os outros pensam; caso contrário não será a nossa verdade.

Ele completou dizendo que, para fazer sucesso no Brasil tem que ser popular. Por exemplo, a música Saideira, interpretada pelo grupo Skank, foi escrita pelo Rodrigo em 15 minutos e foi um sucesso. Já a música Formato mínimo, interpretada pela mesma banda, a qual levou quatro meses para escrever, mais densa e com um vocabulário mais apurado, não foi nem música de trabalho. É sim muito admirada, mas não teve o mesmo sucesso!

Quanto às dicas:

  1. Fluxo de consciência (Mapa mental): este exercício serve para abrirmos mão do controle. Mentalizamos o assunto tema e nos permitimos, a partir dele, sequenciar outros temas, relacionados, mas sem a obrigatoriedade de racionalizar o que segue. Quando nos damos conta, montamos uma seqüencia com idéias que nunca relacionaríamos se o fizéssemos conscientemente, controlando-nos.
  2. Práticas de composição: internet; o quanto se leu e ouviu de música; quanto maior o número de acordes que se souber melhor; ter um assunto central (senão não haverá onde chegar).
  3. Encontrar em outras obras, de música ou literatura, idéias que inspirem.
  4. Retirar frases, copiar pedaços de músicas ou textos litarários a fim de formar os seus.
  5. Poder + memória: palavras. Façamos bom uso desse poder!

Todas estas dicas e frase foram muito bem vindas! Agora terei de pensar, dedicar-me para expressar minha verdade pessoal, que, conforme Rodrigo Leão, nada mais é do que um texto original + uma forma original.


domingo, 23 de novembro de 2008

Irreversible


video


Filme francês lançado em 2002. Eu o assisti semana passada e juro: é um soco no estômago! Não adianta! Tem coisas que são irreversíveis e, por mais que você faça, não tem como mudá-las!

O filme é uma obra de arte! A história é contada de trás para frente e por diversos momentos temos a imagem rodando na tela. Ao meu ver, ambos os recursos servem para expressar que nem sempre temos nossa vida em ordem, não temos tudo sob controle.

Arte é subjetiva! Permite diferentes interpretações. O filme aborda diversos aspectos interessantes que poderiam ser discutidos aqui: a importância da sexualidade nas nossas vidas, a independência feminina, a omissão frente ao problema do outro; isto para citar alguns, pois são inúmeros.

Entretanto, o principal é como as coisas podem de uma hora para outra ir da tranqüilidade suprema para o desespero extremo, da racionalidade à irracionalidade. Somos racionais sim, mas certos sentimentos, do prazer ao medo, podem nos deixar totalmente instintivos.

Vale muito a pena assistir a esse filme! Eu recomendo! Mas prepare-se, tem cenas fortes. E sobretudo, assista ao filme duas vezes seguidas (eu fiz assim). Por quê? Bem, nós temos uma tendência a querermos finais felizes e muitas vezes deixamos essa vontade prevalecer sobre a imagem.

Assista o filme duas vezes! Só assim você se dará conta de alguns detalhes (um em especial, não direi qual) e terá certeza de que há coisas irreversíveis na vida e que agir/tomar decisões de cabeça quente pode contribuir para que tenhamos atitudes tão ou mais irracionais do que aquela que queremos consertar.

P.S. se alguém que já assistiu quiser palpitar sobre o detalhe em questão... a minha dica é que tem a ver com o Tênia; ninguém que eu conheço que viu o filme uma vez só se deu conta disso; será que você sabe do que estou falando ou preferiu ver o final feliz?

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Propriedade versus Sujeito

Quando penso a desigualdade social não consigo deixar de revoltar-me com o fato de que há muito na mão de poucos e pouquíssimo na mão de muitíssimos. Sim, estou me referindo a bens, propriedades.

Pergunto-me sempre por que a propriedade privada é direito de alguns, enquanto outros morrem sem um mínimo de dignidade. Há quem não viva, sobreviva! Com um discurso de igualdade para todos, fica difícil compreender este disparate!

Surpresa minha foi descobrir que o contrário está garantido por lei! Surpresa foi saber que um salário digno está garantido em constituição para o trabalhador brasileiro! Surpresa foi dar-me conta de que as leis estão criadas, mas não são cumpridas. E maior surpresa ainda foi constatar que a Igreja sempre soube da possibilidade da desigualdade, do crescimento da mesma, e nunca fez nada além de bonitos discursos.

Desde o ano de 1891, a Igreja começou a manifestar-se a favor do capitalismo em detrimento do socialismo. Com a Rerum Novarum, o Papa Leão XIII rejeitou a proposta capitalista e afirmou a propriedade privada. Entretanto, ele defendia (1) o acesso à propriedade privada dos bens de consumo, (2) o acesso do trabalhador à propriedade privada dos meios de produção e (3) rejeitava a socialização da propriedade em defesa dos direitos do trabalhador de adquirir os bens de consumo e os meios de produção.

Você acredita que os aspectos defendidos pelo Papa em questão foram ou são respeitados e mantidos?

As relações entre patrões e operários mudaram. Hoje estes são chamados de capital e trabalho. A concentração da riqueza e a miséria aumentaram. Quantos trabalhadores, vemos, não têm condições de adquirir seus bens de consumo, tidos como fundamentais para uma vida digna e humana? O que se dirá então dos meios de produção? Que empresa gostaria de ser a criadora de seus concorrentes? Que empresa gostaria que sua mão de obra também produzisse e viesse a adquirir seu próprio capital? Com o liberalismo? Só o Papa mesmo para acreditar nisso! Se é que ele acreditava! Não vivemos numa sociedade de sujeitos, vivemos numa sociedade de indivíduos!

Uma sociedade de sujeitos não aceitaria tamanha covardia com aqueles que não nascem com a possibilidade de disputar no mercado de trabalho e ficam à margem! Uma sociedade de sujeitos não permitiria que uns morressem sem nunca terem tido um lar enquanto outros têm tantas e tantas propriedades que nem sabem dizer ao certo quantas são! Mas, Leão XIII já alertava quanto a isso: “Quem tiver abundância de riquezas, não seja avaro no exercício da misericórdia.” (RN 114).

O irônico nisso tudo é saber que, quarenta anos depois da Rerum Novarum, o Papa Pio XI manifestou-se no chamado Quadragésimo Ano e ao referir-se à desigualdade social, dizendo que “as riquezas, produzidas em tanta abundância neste nosso século de industrialismo, não estão bem distribuídas pelas diversas classes da sociedade”, deu como solução “o acesso dos trabalhadores à poupança para aumentar o patrimônio familiar”. Ah, pode isso?

O socialismo de Marx estava crescendo e a Igreja, sempre a favor de quem detém o capital (antes mesmo de ser chamado de capital), resolveu posicionar-se com a Rerum Novarum (1891). Porém, detentora de grande conhecimento, provida de grandes intelectuais e pensadores, a Igreja sempre soube dos riscos que o novo sistema econômico traria. Mas resolveu maquiá-los.

Não estou aqui tomando partido contra o capitalismo ou a favor do socialismo. Não é esta a minha intenção. Quero deixar claro meu descontentamento com a ditadura do capitalismo, que oprime os trabalhadores, mão de obra barata, meros assalariados que necessitam de migalhas para sobreviver e são cada vez mais explorados. Sou contra esta ditadura que não nos permite evoluir, não nos tem por humanos e sim nos quer como máquinas. Máquinas produtoras de dinheiro! Dinheiro este que vai para a mão dos detentores de poder, das grandes corporações, de quem já muito tem. Quando receberemos a fatia devida desse bolo? Será nossa mão de obra tão mesquinha a ponto de merecermos uma vida indigna?

A função social da propriedade não deve ser a acumulação de riquezas na mão de poucos enquanto outros não têm nada! Em relação a isto, o advogado e juiz de direito aposentado, Ivan Chemeris, autor do livro A Função Social da Propriedade – O papel do Judiciário diante das invasões de terras, aponta a função social que uma propriedade deve ter para ser legalmente protegida pela sociedade democrática do Estado de direito.

Chemeris diz que, “a partir de 1988” (com a nova Constituição), “a propriedade não é somente um direito subjetivo do proprietário. Ele tem direito, mas junto tem obrigações, não só negativas como positivas. Ele tem sua propriedade, mas não pode agredir o meio-ambiente. Tem a obrigação positiva de fazer com que essa propriedade seja produtiva. O Estado e a sociedade atual não admitem uma propriedade que não atinja seus fins sociais. Nós não podemos ter uma propriedade improdutiva, que não traga benefícios para a coletividade.”

Podemos observar então o benefício da sociedade àcima do benefício do indivíduo. Temos leis que nos garantem o bem comum. Precisamos agora da vontade política para cumprir estas leis. Precisamos da participação dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário para que estas saiam do papel! Virem ação! Ação consciente e conjunta em prol de uma sociedade que há muito sofre com a desigualdade.

Se não for assim continuaremos com um Estado forte e fraco! Forte quando está defendendo os interesses dos poderosos e fraco quando está defendendo os interesses dos menos favorecidos!
Que tipo de nação queremos construir? Que sociedade queremos deixar para as gerações futuras? A de indivíduos, na qual os fins justificam os meios, que procura beneficiar-se sem querer enxergar os que não conseguem o mesmo? Ou a de sujeitos, na qual o bem comum é tido como importante, que visa à oportunidade para todos?

domingo, 16 de novembro de 2008

Curso de Som Perestroika - Sábado V

Pode dizer que estou "babando ovo", "puxando o saco", enfim, pode dizer o que quiser. A questão é que eu adoro as aulas do Marcelo Ferla. Me identifico com ele. Dá até tristeza saber que hoje foi a última.

Claro que essa empatia toda tem a ver com o fato de ele trabalhar com o que eu gosto. Mas, a aula que ele prepara, a forma com que ele a conduz... dá realmente vontade de ficar ali prestando atenção no que ele diz.

Outro lance maneiro foi abordar a música historicamente: na primeira aula, vimos origem e evolução do Rock; na aula de hoje vimos o mesmo sobre a Música Eletrônica.

O livro da Editora Abril, Música Eletrônica, de autoria do próprio Marcelo (Coleção Para Saber Mais/Super Interessante) foi a base da aula. Para quem pensa que música eletrônica é tudo igual e/ou que não existe filosofia neste movimento: não é por aí!

Eu poderia agora sintetizar a aula, indo desde a década de 70 na Jamaica até os dias atuais, passando por Detroit, Ibiza, lugares onde ocorreram grandes sacadas. Mas não farei isso!

Quero chamar atenção somente para um aspecto tratado em aula, aspecto este muito importante e influente: a tecnologia. Ela mudou a vida de toda a humanidade. Não somente no que diz respeito à economia. Ela mudou as relações sociais, as interações.

Música eletrônica e tecnologia estão diretamente relacionadas. A tecnologia contribuiu diretamente para a origem e a evolução da música eletrônica. Contribuiu para que esta se renovasse e se tornasse melhor.

Será que podemos dizer o mesmo da humanidade? A tecnologia contribuiu para que nos tornássemos melhores?

Para responder a essas perguntas é preciso análise e autocrítica.

Para entender a música eletrônica é preciso ler o livro do Marcelo Ferla!

Filosofês avançado

Segunda-feira passada, dia dez, fui à Feira do Livro, como faço todos os anos. Porém, este ano, havia algo mais: o Reitor da Unisinos, Marcelo Aquino, estaria palestrando às 19h no salão oeste do Santander Cultural.

Meu professor deixou bem claro que estaria lá e esperava encontrar seus alunos no evento. Até porque era o dia (ou a noite) de nossa aula.

O Reitor anteciparia o tema do próximo Simpósio Internacional a ser realizado pelo Instituto Humanitas Unisinos: Narrar Deus numa sociedade pós-metafísica. Possibilidades e impossibilidades.

Bem, o mínimo a fazer numa hora dessas é tentar inteirar-se do assunto a ser tratado. No caso, pós-metafísica. Digamos que de Deus e de sociedade eu já entendo.

Tudo certo! Fui atrás de informações sobre metafísica e constatei que não estava tão longe dos assuntos de meu interesse. Na realidade, sempre gostei de metafísica; só não sabia que era metafísica.

Enfim, fui contente à Porto Alegre! Esperava expandir meu conhecimento filosófico ou ao menos entender o que estava sendo tratado.

Santa ignorância! A palestra que assisti deveria ser para mestres e doutores, não para simples graduandos! Recolhi-me a minha insignificância enquanto estudante de graduação. Não conhecia muitos dos pensadores e dos conceitos citados. A impressão era de que eu e meus colegas não entendíamos o idioma em uso: Filosofês avançado!

Esta palestra não foi para que entendêssemos o que estava sendo tratado e sim para deixar claro o quanto o Reitor da Unisinos é sábio.

Sem dúvida alguma, Marcelo Aquino é um dos maiores intelectuais do Brasil, senão da América Latina. Não negarei este fato. E nem posso!

Mas um pedido eu fiz para meu professor antes de ir embora:
Traduza tudo para nós na próxima aula, professor!
Traduza!

sábado, 15 de novembro de 2008

Curso de Som Perestroika - Sábado IV

Eu juro que gostaria de relatar esta aula!
Mas, como este sábado não foi o que poderia se chamar de bom, ou melhor, foi de longe o pior do ano, tive o forte desejo de não ir no curso.
Para não dizer que faltei à aula, apareci por lá e permaneci em torno de uma hora.
Esta aula também foi com o professor André Sittoni.
O cara é professor da Unisinos no curso de Realização Audiovisual.
Segundo o site da instituição, essa é a primeira e mais completa graduação no Rio Grande do Sul voltada para cinema. Como já era de se esperar, o André é o professor da parte de som.
Eu não aproveitei esta aula, como já disse, fiquei uma hora e larguei. Basicamente, foram retomados e aprofundados conceitos da aula anterior.
Mas, para quem se interessa pela indústria cinematográfica, vale a pena conferir o site da Unisinos. O curso parece bem interessante.
Eu aposto que, de som, o André tem o que ensinar!

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Curso de Som Perestroika - Sábado III

Terceira aula. "Que aspecto do som aprenderei hoje?" Esta é a expectativa ao sair de casa. A aula não será onde normalmente é: na Perestroika. Hoje o local do encontro é a LoopReclame. Além disso, professor diferente. Gosto de novidades. Estou curiosa.

Professor desta aula: André Sittoni. Com formação em Educação Física, o lance dele era sua banda. Mas, como não fluiu, ele e seus parceiros resolveram tentar a vida no exterior. Só ele conseguiu visto... e se mandou! Chegando nos States, surge a oportunidade (aquela história de estar no lugar certo na hora certa): a Warner precisava de alguém com conhecimento em áudio e português. Pronto! Tava feito o estrago! No bom sentido, claro! Quinze anos em Los Angeles, Warner, muitos filmes. O cara é o cara no que diz respeito a áudio!

O assunto estava definido: som para filme e televisão. Gostei! Amo cinema! Como não adoraria esta aula!? Inicialmente, após apresentações, André relacionou áudio e vídeo a fim de explicitar a dupla importância dessa relação. O que escrevo a seguir são palavras dele.

Som é a aura construída para dar suporte à narrativa, documentário, filme, comercial ou programa de televisão. Pode contar a estória diretamente, ser usado para ilustrá-la ou contá-la de maneira subjetiva. Mesmo sendo mecanismos diferentes de percepção, som e imagem devem estar integrados de forma que os expectadores não consigam os separar.

Feita a introdução, passamos para a próxima fase da aula: produção. Três estágios: (1) pré-produção (como acontecer); (2) produção (fazer acontecer); (3) pós-produção (manipular o acontecido). Na parte de pré-produção, temos a leitura do roteiro, a análise das locações, a montagem das equipes, o orçamento, o mapa de som (ou som-design), a escolha de equipamentos e o plano de gravação. Na produção, temos a equipe de captação (som direto) e a de captação de efeitos, os equipamentos: microfones, mixer, gravadores, acessórios e a documentação/planilhas.Na pós-produção, a edição, foley, efeitos sonoros editados e os gravados, música, mapa de som, mixagem.

Imagine que, do som direto, gravado junto ao vídeo, aproveita-se, no máximo, 60%. Quer dizer que, com otimismo, no mínimo 40% do som terá de ser regravado. Aí entra o artista de foley! Este é responsável por (re)criar os sons ocorrentes no filme. Seja o que for, do ato de respirar a uma guerra, o artista de foley reproduz de forma a captar com a maior qualidade possível os sons produzidos na obra. Depois de passarmos do cinema mudo para o falado, na opinião de André Sittoni, esta foi a maior invenção da arte cinematográfica envolvendo som! O Foley teve uma puta idéia! Aumentou a qualidade do cinema! Valorizou a participação do áudio!

Ainda que no Brasil a Indústria do Cinema esteja se desenvolvendo e progredindo, há muito o que melhorar! Inclusive no que diz respeito ao reconhecimento do profissional de áudio! Agora, com a TV Digital então... Ficará muito mais fácil identificar, perceber, a qualidade do som! Tudo se tornará mais perceptível!

À contribuição da tecnologia ao mundo da arte!

Sempre precisaremos de artistas!

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Curso de Som Perestroika - Sábado II

Segunda aula, professor diferente, colegas novos... estava bem mais disposta que na aula anterior. Inclusive me dei conta de algo que poderia ter percebido antes: o centro de inovação Perestroika é voltado à publicidade! Não que isso mude o que eu sinto pelo curso ou pela escola, é um comentário só a nível de informação mesmo. Afinal de contas, curto tudo o que envolve a área de comunicação!
Bem, de volta ao que interessa, o professor desta semana foi o jornalista Marcelo Ferla, que recebeu este nome devido ao ator Marcello Mastroianni; mas, histórias pessoais à parte (e eu as adoro!), vamos falar/escrever sobre música.
Entre outros tópicos interessantes, fizemos o que eu poderia chamar de giro no tempo ou linha temporal da música pop. Para esta viagem, Marcelo escolheu os seguintes transportes/temas:
- Frank Sinatra inventou o Pop;
- Surge o Rock;
- O Rock perdeu o sentido;
- Fim do Rock;
- Bush salva o Rock.

Incrível! O tiozinho aquele que minha avó ama de paixão é o primeiro bon vivant da música! O cara! As mulheres o querem, os homens o invejam... Está no auge! Mas uma suspeita de envolvimento com a máfia resulta em sua derrocada. Aí, após amargar em decepções, acontece o que se tornaria marca pop: a ressurreição do astro! Então, ao receber o oscar pelo filme Daqui para a eternidade, em 1953, não há mais dúvidas: Frank Sinatra se torna eterno!
Em 1954, surge o Rock: soma de blue e country, música de negros e de brancos. Seu sentido: sexo! Livrar-se da repressão sexual em que vivem é o principal objetivo. Rebeldes sem causa é o filme marcante da época. Começa a surgir um público que até então não é explorado: os jovens! Nos anos 60, Bob Dylan surge como ápice da contracultura e as circunstâncias o tornam o primeiro anti-herói do Rock. Rock e política se aproximam. Neste contexto, a revista Rolling Stones é lançada a fim de definir atitudes/comportamentos para este novo grupo. Curiosidade: rock'n roll era a gíria usada por negros para referir-se a sexo! Ui!
O Rock cresce tanto, aquele público-alvo é tão promissor... surgem novas bandas, dentre as quais The Beatles, Pink Floyd, enfim os envolvidos enriquecem. Mas o Rock perde o sentido! Sexo não o é mais. O que é!? Nasce então o punk rock nos anos 70: sem querer querendo surge o Sex Pistols. Nos anos 80, a MTV aparece, unindo música e imagem.
Diversas mudanças contribuem para o fim do Rock! Os anos 90 marcam pela presença de Kurt Cobain, o qual, como Bob Dylan, segue a postura do anti-herói: não faz parte dos seus planos aquele mundo de glamour. O Rock não se desenvolve. Surge o hip hop, a música eletrônica. O hedonismo toma conta do momento, fim de século, os problemas não estão em pauta, é hora de curtir a vida e os prazeres que esta proporciona. Parece que perderíamos de vez um estilo que se consagrou por décadas.
Até que... Bush salva o Rock! Agora há motivos para protestar! Há o que rockear! O onze de setembro, as guerras no Iraque, matanças, injustiças... a ignorância é notada novamente e o Rock volta como movimento contestador! O sentido ressurge!

É claro que não escrevi todos os detalhes a que tive acesso através das palavras do Marcelo. E mesmo sei que ele também não declarou toda a riqueza de seu saber, para isto falta-nos tempo! Mas, do pouco que aprendi, tento aqui passar outro pouco e dividir parte do saber que comigo foi dividido! Tentemos assim multiplicar! Pesquisemos mais e aprendamos mais! Quem sabe qualquer hora dessas fazemos outro passeio no tempo!?

domingo, 19 de outubro de 2008

Otimismo no revés

Lendo o texto anterior e refletindo sobre este ano, lembrei de outro fator que fez com que eu me sentisse melhor: Pensamento Social Cristão, uma disciplina das Ciências Humanas.
Durante o curso inteiro eu olhei para o currículo e vi com desconfiança esta cadeira. Pensava que provavelmente o professor seria um padre falando sobre os valores da Igreja. Nada contra padres e igrejas, mas também nada a favor! Ah, pra ser sincera, tenho contras sim!
Iniciei o segundo semestre de 2008 com um nó na cabeça! Revolta era o que eu mais tinha! Aí, como era obrigada a encarar a disciplina para poder me formar, fui ver no que daria!
Na primeira aula, o professor pediu para que nos apresentássemos e falássemos um pouco sobre nós mesmos. Na minha vez, resolvi soltar o verbo, falei sobre minhas desilusões: o patriarcado, a luta de classes... inúmeras desigualdades presentes em nossa sociedade. Enfim falei sobre minha vontade de encontrar meu espaço no sistema vigente sem tornar-me cega às injustiças!
Ao professor Laurício Neumann (muito gente boa) só restou dizer-me o que eu já sabia e tornou-se óbvio: eu estava em crise existencial! Mas o que eu e meus colegas não sabíamos era que o foco de estudo era exatamente o modelo social vigente, o capitalismo, desigualdades e possibilidades para mudarmos a realidade. Eu estava por dentro do assunto mais do que poderia imaginar!
O nome da disciplina ajuda na construção do preconceito sobre ela; mas, pensando bem, me precipitei. Pensamento: o ato ou faculdade de pensar; Social: o que é relativo à sociedade; Cristão, de Cristo, não da Igreja. Pensamento Social Cristão: pensar a sociedade de acordo com os ensinamentos de Cristo.
E quem foi Cristo? Bem, eu acredito no homem com idéias totalmente à frente do seu tempo, uma alma bastante evoluída, que deixou mensagens importantíssimas a serem seguidas, e não rituais patéticos. Enfim, valorizo os ensinamentos de Cristo e não os dogmas religiosos. Valorizo o amor, a igualdade, respeitando as diferenças, a compreensão.
Mas, pouco falamos em Cristo na aula, quase nada! A disciplina era basicamente filosofia! E filosofia bem atual! A-do-rei!
Iniciamos os estudos com Habermas. Eu não sei porque ainda não tinha estudado esse cara! Os textos dele são um soco no estômago! As idéias dele ao mesmo tempo perturbam e libertam! Por falar o que pensa com propriedade e bons argumentos ele teve problemas com a Igreja, assim como Leonardo Boff. Eu admiro muito eles dois! Mesmo inseridos no mundo religioso, tiveram coragem de discordar e apontar erros históricos e atuais! Ambos sofreram represália por isso!
Me identifico com eles! Óbvio que não trilhei metade do caminho deles, tenho muito a percorrer! Mas tenho a mesma vontade! A mesma disposição para construir um mundo melhor!
Pode ser que eu não veja este mundo, pode ser que eu seja uma eterna incompreendida, pode ser sim que eu seja excluída; mas, em prol do bem comum, seguirei meu trajeto e serei feliz por ser fiél as minhas idéias!
Posso dizer hoje que esta disciplina me trouxe novamente a coragem de tentar e acreditar! Ela foi determinante para eu voltar a praticar meu otimismo! Para reestabelecer minha utopia!

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Aniversário de Professor

Dia do professor!
Mais um ano se passou e eu nesta profissão que para muitos é sinônimo de sofrimento e baixo salário. Realmente! Em um país onde a cultura não é valorizada e o saber não é bem-vindo, resta ao professor se tornar uma figura ultrapassada, um coitado!
Ainda bem que eu não tenho pena de mim mesma! Ainda bem que eu sei do caráter intelectual do professor! Detentor e transmissor de conhecimento, e por isso mesmo, alguém que possibilita novos horizontes, novas perspectivas de vida!
Mas não foi sempre assim!
Há exato um ano, eu tinha certeza que trocaria de profissão! Não sabia que rumo tomaria minha vida! Entretanto, estava determinada a não mais, em hipótese alguma, continuar no magistério!
Quando optei pelo curso de Letras já sabia que não queria trabalhar com os pequenos; gostaria de ensinar aos maiores, fosse gramática, inglês ou literatura; minha vontade era fazer pensar, discutir, dialogar com adolescentes e/ou adultos, pessoas que já trariam consigo uma experiência maior de vida, de faixa etária não tão diferente da minha, ou talvez diferente, mas não crianças (sem desmerecer as colegas da Pedagogia!).
Trabalhei em escolas particulares, rurais, suburbanas; considerava que em meus seis anos de magistério (hoje sete) havia passado pelas diferentes realidades que eram oferecidas e por isso alcançado um bom grau de experiência.
Mas minha última vivência me fazia sofrer demais (e ainda faz), muita pobreza, muita falta de perspectiva, muita desestrutura familiar, muita ignorância, muita acomodação e muita revolta!
Há um ano minha força havia se esgotado! E eu havia desistido! É muito difícil se dar conta de que aquela vontade louca de mudar o mundo vai ficar na vontade! Eu não posso mudar a vida das pessoas... só elas podem.
Então, ao perceber que alunos de turmas de pré a oitava série, tirando raríssimas exceções, iam à aula para comer a merenda ou receber o bolsa escola, também percebi que meu conhecimento não era desejado. Sim minha amizade. E eu havia estudado para quê!?
Pronto! Desisti! Me abri com os amigos, conversei com meus professores, comuniquei minha decisão às pessoas com as quais me importava. Muitos ficaram surpresos. Houve inclusive uma professora que, em sua visível decepção com o que ouvia, encaminhou-me para os psicólogos da Unisinos. Mas eu não fui! Era uma decisão minha, só eu poderia mudá-la!
Este último ano como professora foi realmente um ano de reflexão. Refleti sobre meus objetivos, meus anseios, meus medos e mesmo sobre minha vaidade. Foi um ano longo e difícil. Sofrido. Perturbador. E, não menos, proveitoso. Animador.
Foi ao me ver como não-professor que pude entender o quão admirável é ser professor. Foi ao entender as desilusões que pude voltar a me "iludir".
Uma de minhas dificuldades era não conseguir enxergar o que faria, que profissão escolheria se abrisse mão da minha. E, se eu iria mudar de profissão, porque não escolher uma que me desse maior retorno financeiro? Advogada, artista, psicóloga, jornalista. Todas estas me atraíam. Todas estas envolviam alguma característica forte de minha personalidade. Por qual optar? Resolvi não optar por nenhuma, mas também não descartar! No final do meu curso de Letras, a última coisa que queria pensar era em outra graduação! Também não era o momento.
A atitude ideal a tomar foi viver um dia de cada vez. Que jargão! Mas funcionou. Procurei dar importância ao que me fazia bem, não alimentar o sofrimento, ir a novos lugares, conhecer novas pessoas, aprofundar meu conhecimento em assuntos que me davam (dão) prazer, perceber/aprender possibilidades para problemas sociais que não posso resolver sozinha/agora. Fazer a diferença, aos poucos, ao invés de mudar o mundo! Comecei a ficar mais tranqüila. Com o tempo, fui me sentindo melhor.
E, neste mês de outubro, uma experiência mexeu com as minhas estruturas! Novamente! Meu estágio com alunos de Ensino Médio! Que maravilha dar aula para quem quer saber o que eu tenho a ensinar! Que maravilha perceber que se quer aprender! Que maravilha ver olhos e ouvidos atentos e interessados!
É claro que tenho noção que a comunidade em questão não é tão carente e que nem todas as turmas de Ensino Médio são como esta. Sei sim de cada detalhe que envolve este universo, cada uma das características que podem estar envolvidas e levam cada pessoa, cada ser, a ser exatamente do jeito que é!
Mas o êxtase que senti já na primeira aula! A felicidade que tomou conta de mim! Sensações inexplicáveis! Indizíveis! E para alguém que não acreditava mais nisso(...)!
Não tenho meios (e nem acredito que alguém tenha) de dizer: Esta será a profissão de toda a minha vida! Não podemos estabelecer nada com tamanha duração. Mas, depois de me reapaixonar pelo magistério, não me importaria se isso fosse verdade!
Amo todos os meus alunos: os que fizeram parte da minha vida, os que fazem e os que ainda farão! Amo o conhecimento que adquiri até aqui! E ainda mais o que está por vir!
Parabéns, professores, pelo nosso dia!
Cultivemos nossas paixões!
Elas podem ser muuitas!

domingo, 12 de outubro de 2008

Curso de Som Perestroika - Sábado I

Ontem, com aquele tempinho mixuruca, aquele céu cinzento, aquela chuvinha, uma ressaca dos diabos acabando comigo, saí de casa para ir a Porto Alegre na primeira aula do meu tão esperado curso de som.
O professor desse dia era o coordenador do curso, Eduardo Santos, locutor da rádio Ipanema, entre outros títulos. Com formação em publicidade, mais do que normal que tendesse para este lado, ainda mais tendo alunos publicitários que incentivavam e contribuíam para que a publicidade se sobrepusesse.
Entretanto, nosso primeiro dia não abrangeu somente este aspecto. Como já era de se esperar, primeiro dia é primeiro dia e não dispensa apresentações. Depois o Edu Santos falou sobre som, rádio, AM, FM, IBOPE, direitos autorais. O livro A Cauda Longa, de Chris Anderson, foi a grande pedida, recomendado pra quem quer entender este universo músico-econômico, se é que posso chamar assim (é que ainda não li o livro!).
A presença do jornalista Marcelo Ferla foi uma grande contribuição para a aula. É muito bom ouvir esses caras falando de sua experiência no mundo musical. Eles sabem pra caramba! Dá gosto de ver (ouvir)!
Bem, eu, contrariando a normalidade, falei pouco. Sabe como é, primeiro dia, primeiro contato, é momento de reconhecer o terreno, escutar muito e falar pouco, observar. Prefiro assim. E também com a dor de cabeça que eu tava! Ô ressaca braba!
Mas, a chave de ouro, a surpresa inesperada, foi a presença de Kátia Suman! Que bate-papo legal. Regado a um bom vinho. Acredite, eu bebi! Uma medida insignificante, até porque se eu bebesse mais teria que ir direto para o HPS! Por um momento esqueci da ressaca e peguei o vinho quando o Edu alcançou; ao dar o primeiro gole, lembrei da danada e resolvi deixar o copo de lado, depois de terminar com o conteúdo que estava nele, é claro!
Voltando à Kátia, gostei dela, além da profissional, a pessoa! Gostei do jeito dela dizer as coisas, desbocada e não vulgar, interessante e não pedante! Quando ela expressou seu amor às Letras, me apaixonei. Quando falou sobre sua insatisfação com o sistema, caí de quatro! Juro! Não foi atração sexual! Foi intelectual! Adorei saber um pouco da vida dessa mulher que passei a conhecer e admirar.
Agora estou na expectativa da próxima aula, espero que seja ainda melhor do que esta. Em um aspecto tenho certeza que será: não estarei de ressaca! Assim planejo pelo menos!

sábado, 20 de setembro de 2008

Prosa poética de saudade inesperada

(Gabriel Bernardo)
Não sei se é certo, mas eu queria que tu estivesses aqui comigo agora. Em silêncio, teus lábios fariam desse mar uma celebração do belo, da vida. E quando tua voz, rouca, serena, beijasse o ar, aí sim é que essa enseada calma enlouqueceria. Mas porque tu não estás aqui o mar é calmo... e sendo calmo, me agita e pede a tua presença. Fecho os olhos e abro as portas do coração para que saias e veja por si que tu não estás e que nem tudo é possível, embora eu não saiba se é certo. Na verdade, certo e errado não existe, o que existe é viver. Ironicamente, pensar em certo e errado acho não é certo. Viver é certo. Viver é exato. Saber que tu existes é exato. Tua presença é mais do que exata, ainda que tornem inexatas as minhas convicções, mesmo que me faça esquecer o trajeto que leva a mim mesmo. Tento-me revisitar, e no meio do caminho teus olhos me convidam a descansar. Descanso. Enquanto isso, adio o momento de me ver e perguntar se estou precisando de alguma coisa. Minha sorte é que esse mar é inevitavelmente azul. Sem ti, insignificantemente azul. Fosse castanho, como os teus olhos são, sem piedade, castanhos, o tempo, talvez por vertigem ou paixão fulminante, desmaiaria. E então eu perderia a previsão de te ver outra vez.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Que barbaridade!

Me chamam de louco e não tiro a razão
Eu reconheço a minha loucura
Mas para quem acha que sou sem noção
Sem tripudiar, eu exalto a cultura
Neste 20 de setembro, conterrâneos, presto homenagem
Àqueles que na revolução farroupilha fizeram história
Agradeço pelo legado de virtude e coragem
Vivemos num estado de bravura e glória
Valorizemos o Rio Grande, seus artistas, suas paisagens
Não se esqueça de minhas palavras e me deixe em minha viagem!

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Falta de inspiração!?

Há quem afirme que atualmente escritores não podem se dar ao luxo de depender de inspiração para produzir. Pedidos, prazos: cada vez mais a dinâmica cruel do mercado de trabalho tem invadido outras esferas, inclusive a artística.

A máxima "os fins justificam os meios" tem conquistado espaços de interação social, alterando diretamente a qualidade das relações, a qualidade de vida. As pessoas são vistas como objetos que devem produzir, consumir e gerar lucros.

É dura essa vida de quem fica tentando remar contra a maré! Tem que ser forte pra não se abalar com as mazelas humanas. São tantas as desigualdades. Quando olho, vejo tanta gente alienada! Parece que a humanidade foi atingida por um vírus!

Certo dia, me dei conta que quase fui atingida por ele também. Meus pensamentos não se conectavam, minhas idéias tornaram-se vazias. Surgiu-me uma forte vontade de corromper e fazer parte do sistema. Parecia que esta era minha única alternativa!

Mas minha mente o combatia. Tornei-me angustiada, incompreendida, desiludida: era meu corpo combatendo o vírus em fase de incubação. É o melhor momento para a cura, pois só na próxima fase nossas atitudes são alteradas, caso o vírus se manifeste.

Foi neste período que fiquei sem escrever. Não que me considere escritora. Escrevo porque gosto, porque me faz bem, me dá prazer. Mas não conseguia nem como terapia! Falta de inspiração!? Talvez! Eu sentia como falta de ilusão! Falta de percepção! Falta de motivação! Nada naquele momento fazia sentido. Só a introspecção parecia ter alguma veracidade!

A batalha foi grande! Enfim o vírus não se adaptou! Estou de volta e curada! A felicidade de sofrer por enxergar tomou conta de mim novamente! Sinto que reencontrei-me! No lugar da angústia, otimismo. Ao invés da desilusão, utopia!

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Sexta-feira

Vamos fugir dessa hipocrisia
E comemorar a anarquia

Entre na brincadeira
Hoje é sexta-feira

Se desligue do tormento
Sejamos felizes por um momento

Preferências

Prefiro ser inconseqüente perante um demente
do que fazer um falso moralista contente.

Realidade

Depois de perceber que o mundo não era cor de rosa, sentou e chorou.
Estava difícil aceitar também que as nuvens não eram de marshmallow!

Script

Como um robô. Não sabe pensar.
É difícil. Prefere executar.
Somente normas. Quer acatar.
E vai vivendo. Deixando levar.

Conforme a maioria. Prossegue a andar.
O fluxo segue. Assim sem parar.
Sem responzabilizar-se. Sem raciocinar.
Acostumou-se e vai longe. Não sabe voltar.

E nem mesmo quer. Não vê necessidade.
Acostumou-se ao script. À debilidade.
Estando bonita. Parecendo menos idade.
Está feliz. Fica à vontade.

Não troca opiniões. Não quer se expor.
Talvez se o fizer alguém verá seu interior.
Um mundo obscuro. Quem sabe? Um horror.
Nunca o olha. Vive em pavor.

Dinheiro ajuda. Assim considera.
Se deprimida. Algo compra. Quimera.
Não resolve o problema. Não muda nada.
Mas consome. De bem fica. Realizada.

Guerras, fanatismo, preconceito racial?
Economia, política, realidade desigual?
Desmatamento, extinção, aquecimento global?
Ética, consciência, responsabilidade social?

O script não é muito divulgado.
Mas em geral é bem assimilado.
Vende-se na rua dos Acomodados.
Perto do beco dos Alienados.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Asneira

Disse um palavrão
Soltou um arroto
Deu um peido (barulhento, silencioso ou choco)
Tirou tatu do nariz

Tudo isso também eu fiz
Você não!!!???
Ah deixa de bobeira!
Não agüento mais convenção!

Se todo mundo faz
Porque não pode falar?
Chega de aparência!
É melhor a transparência!

Eu não to de brincadeira
Apesar de parecer asneira
Quero qualquer assunto tratar!
A verdade é pra encarar!

Consciência

Se você é daquelas pessoas que pensam que podem fazer o que bem entendem...
Se você é daquelas pessoas que primeiro agem e depois pensam nas consequências...
Se você é daquelas pessoas que adoram cometer erros e apoiar-se nas máximas "errar é humano", ou "ninguém é perfeito", ou outras tantas desse tipo que há por ai...
... é bom começar a rever seus conceitos!

Primeiro, devemos lembrar que liberdade é algo maravilhoso desde que seguida de certos preceitos como responsabilidade e respeito! Lembre-se de não fazer para as outras pessoas aquilo que não gostaria que fizessem a você!
Segundo, devemos lembrar que ponderar nossas atitudes antes de tomá-las pode nos poupar de vários problemas! Lembre-se de que é livre para fazer suas escolhas mas as consequências de cada uma delas recairão sobre você!
Terceiro, devemos lembrar que somos, cada um, humano e divino! Lembre-se de que, apesar de errantes, temos plena capacidade para fazer o bem, o que é correto!

Temos um sexto sentido que deve ser considerado: nossa consciência! Ela nos avisa quanto a erros que podemos cometer, acusa quando os cometemos, ajuda a desenvolver pensamentos que podem contribuir para nos tornarmos pessoas melhores.
A consciência é Deus em nós!!!

Não haja por impulso, reflita sobre seus sentimentos, avalie suas perspectivas! Pense bem antes de tomar qualquer decisão! Você tem Deus dentro de você! Você é Deus!!!
Não esconda-se na imagem de pecador que não tem controle sobre seus atos! Não veja-se como imperfeito, vítima! Assuma o controle! Encare que você pode chegar muito perto da perfeição! Acredite em você mesmo! Esforce-se! Transcenda!!!

A vida se tornará muito melhor de ser vivida! Você expandirá seu conceito de mundo! Sentirá o bem-estar de fazer parte desse todo universal ao qual pertencemos! Será mais feliz!!!

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Ame e Entregue-se

Não espere alguém perfeito pra dizer "eu te amo"!
Às vezes as pessoas passam anos de sua vida ao lado de alguém especial que poderia ser a pessoa da sua vida e não conseguem perceber que a felicidade está assim, pertinho.
Há pessoas que têm medo de amar, medo de se envolver, medo de confiar, medo de rir de si mesmo, medo de não ser perfeito. E esse medo é tão grande que as cega, as impede de ver que não precisa exigir mais, nem do outro nem de si mesmo, para ser feliz!
Dia desses alguém disse que devemos dar atenção ao que cada um tem de melhor, e eu concordo com isso. Mas por que há pessoas que insistem em dar atenção aos defeitos de cada um, impedindo seu próprio bem-estar?
O mundo é difícil? É sim! Há pessoas falsas? Há, e muitas! A vida é cheia de dificuldades, mas temos de fazer escolhas. Cada um de nós faz inúmeras escolhas diariamente. E se teremos medo da vida ou se nos permitiremos amar, com toda a entrega que esse sentimento exige, também é escolha de cada um!
Eu escolhi amar! Ver o que há de bom! Sem fechar os olhos para os problemas do mundo, da humanidade, porque de modo algum quero viver iludida! Realista e otimista! Prática e idealista! Oscilando entre esses extremos vou vivendo.
É verdade que sofro de amor! E quem não sofre? Quem não se envolve por medo de sofrer não se permite viver! O amor é o sentimento mais belo! E assim como belo, hediondo! É a natureza do mundo! Contradições! Imperfeições!
E quem preferiria não sentir por um momento o doce do amor para poupar-se da dor? Nunca conheci, nem quero conhecer, quem prefira essa estapafúrdia! Quem pensa assim não merece ser amado!
Acontece que há pessoas que pensam preferir não amar a sofrer. E tentam tanto, e às vezes por tanto tempo, e fogem, e evitam. E não entendem que amar está em nossa essência! Não há como ignorar a essência! Então essas pessoas amam, mas amam sofrendo por acharem que estão traindo seus conceitos. Ora, que conceitos! E depois de tanta luta, tantas batalhas contra a essência, o amor vence! E essas pessoas entregam-se com o mais profundo amor de sua alma!
Mas o objeto desse amor pode não estar mais ao seu lado! Isso pode ter acontecido porque o amor venceu tarde demais. O outro não acreditava mais. E isso dói demais! Dói pra quem se entregou sem ser correspondido. Dói pra quem se entregou tardiamente.
Valorize quem está ao seu lado! Seja ciente dos seus defeitos, não se iluda. Admire suas qualidades, acredite. Diga o quanto essa pessoa é especial pra você. Dê atenção, importe-se! Deixe-a saber o quanto você a ama. Torne seu dia-a-dia especial.
Não espere para fazer tudo isso depois! Pode ser tarde demais!

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Soneto!?

Durante um tempo em minha vida
pensei aos outros sempre ter de acatar
por vezes nem mesmo opinar
seguia assim perdida.

Durante um tempo em minha vida
pensei aos outros sempre ter de agradar
por vezes até me anular
querendo ser querida.

Mas meu interior se fortificou
feliz com meus pensamentos
comecei a me despreocupar.

Com a consciência de quem sou
não vivo mais de tormentos
nada preciso provar, só amar.